Segunda-feira, Abril 25, 2005

Ai Jesus !!!


Por que é que toda profissão tem sempre que ter a ovelha negra, a vergonha da classe? Por quê? Na música nós temos exemplos e mais exemplos ( Kelly Key, Carla Perez, Latino), no mundo novelístico temos preciosidades como Ricardo Machi ( lembram do cigano Igor??). Como apresentadores temos Raul Gil, Gilberto Barros, João Kleber... Na imprensa temos o débil mental ilustre Diogo Mainardi. E, quase chegando à Academia Brasileira de Letras temos o ilustre, magnífico, iluminado, o nosso guru pensador tupiniquim Olavo de Carvalho! E o mundo das Ciências Biológicas é diferente? Não, infelizmente não! Temos o nosso representante do lado negro da força. E, com vocês, o enviado pessoalmente pelo Senhor das Trevas, o João Kleber da biologia: Richard Rasmussen!!

Daí vc, leitor agraciado pela dádiva de nunca ter visto este ser desinformado, pergunta: “quem é esse cara?” Na verdade, a pergunta correta é: “O QUE é esse cara?” Não sei. Sinceramente, não sei. Só posso dizer que sinto uma angústia, um aperto no peito cada vez que o vejo... Alguém me leva para visitar os 318 pastores, por favor!!?? Onde está o Vale do sal??? Bem, vamos analisar esta criatura degradante simpático aventureiro por partes, e tentar entender (no colo de quem ele sentou pra estar lá) O QUE ele faz na tv?

  1. A aparência

Bem, certamente ele não é mais um rostinho bonito. Muito menos um corpinho. Ele é feio naturalmente desprovido de beleza. “Mas biologia não é concurso de miss!” vc vai dizer. Concordo, afinal, eu não esperaria nenhum Clark Gable, mas também não precisava exagerar! Poxa, o camarada tem cara de ratazana que está sendo submetida (sem piadinhas de duplo sentido) a testes intermitentes de temperatura retal!!

Outra coisa que me incomoda bastante: ele é sujinho. Sim, isto mesmo: ele parece estar sempre sujo! Suado, com a barba por fazer, com o rosto meio encardido -lembra-me muito aquele personagem engraçadíssimo (¬¬), o Seu Boneco- Argh! Daí vc resolve defendê-lo outra vez: “ Pô, dá um desconto, o cara está no meio do mato!” Ok. Mas quando ele está nos estúdios da Record ele tem a mesma aparência de limpador de chaminé após um dia atribulado de serviço. Pelo menos podia tomar um banho antes das gravações né?

  1. O visual

Agora, no melhor estilo Ronaldo Ésper, vamos esculhambar analisar o figurino do cidadão. O que são aquelas roupas claras, num tom quase branco? Ninguém avisou este ser que ele estaria no meio do mato, na Floresta Amazônica, na Caatinga, no Cerrado e não do Terreiro da Mãe Maroquinha de Exu-Tranca-Rua?? Das duas uma: ou ele confia muito do poder de OMO multiação, ou ele é supersticioso como o Roberto Carlos e não trabalha com roupas escuras porque atrai energias negativas. Não dá pra entender um cara que vai fazer uma expedição com roupas claras. Ou dá? Querido, roupas claras NÃO DEVEM ser usadas em campo. You know?

Outra particularidade da nossa socialite biológica: os sapatos. Sapatos mocassins num tom fezes de cachorro ressecadas pelo sol. Perfeitamente apropriados para os solos áridos da Caatinga, ou para as densas matas da Amazônia. Sinceramente, acho que o exército deveria mudar seu uniforme, pois aquelas botas escuras, de cano longo são inúteis. Afinal, nada como andar na floresta de mocassins (ou seja lá como se escreva isso), que cobra ousaria picar o usuário de tamanha graciosidade e bom gosto?? ¬¬

  1. A dicção

Após uma profunda análise da fonoaudiologia do homem em questão, cheguei a uma brilhante conclusão, uma teoria fantástica que pretendo usar como meu tema de TCC: Richard Rasmussen é filho da nutricionista Ruth Lemos! Quem não se lembra da simpática nutricionista pernambucana que se perdeu com o delay ao ser entrevistada ao vivo por uma repórter da Globo?

Richard só pode ser filho dela. Apenas uma mutação transmitida de mãe pra filho explicaria tamanha falta de habilidade. É IMPOSSÌVEL entender o que este ser fala se vc não aumentar o volume e colar seus ouvidos e olhos no aparelho de televisão. Vou tentar reproduzir a ordem exata de uma frase dele, tentando responder à uma pergunta de Celso Freitas: ele respira, tenta falar, não consegue. Tenta de novo, proclama alguma coisa inaudível, respira de novo. Fala (ou pelo menos tenta), gagueja, repete a “palavra anterior”, repete, se perde no raciocínio, grunhe mais alguma coisa, até que finalmente é interrompido pelo charmoso apresentador do programa.

  1. O conteúdo

Esta é à parte em que, após momentos de reflexão eu me pergunto: que conteúdo? Não há conteúdo. As matérias são insossas, sem novidade alguma. O “aventureiro” está mais para Sérgio Malandro. Totalmente perdido. Não tem a mínima noção de contenção de animais. Sem contar o melhor: ele é abençoado pelo Senhor! Pois encontra TODOS animais em seu caminho. Impressionante, acho que, com a sorte que ele tem, deveria jogar na mega sena. ¬¬

Isso sem falar nas pérolas jogadas no ar! Tive espasmos convulsivos quando ouvi, saindo de sua boca a seguinte frase: “Esta aqui é uma píton, a única cobra que comprovadamente comeu uma pessoa na Índia” E ele ainda fez questão de mostrar que tem embasamentos científicos, “ há fotos na Internet!”. Richard, meu pavêzinho de sonho de valsa, na Internet existe até hamster ninja!

As serpentes já são muito bem vistas pela população. Ele ajuda bastante dizendo este tipo de merda este monte de asneiras. Os amantes de cobras agradecem.

O fato de todos os animais “selvagens” serem claramente de cativeiro não precisa nem ser comentado. Deixo para outro post.

Bom, depois desta imensa análise cheguei a algumas conclusões:

  1. É de foder;
  2. Este cara está totalmente despreparado pra falar na tv;
  3. É de foder
  4. Ele está se tornando uma figura humorística melhor que o Reporter Vesgo;
  5. É de foder;
  6. Ô nomezinho do cacete;
  7. É de foder. (Já disse isso?)

Termino este post dizendo que lamento profundamente ver a carreira que escolhi sendo esculhambada em rede nacional, que é triste ver um mentecapto destes confundindo pessoas sem conhecimento. Envergonho-me, de verdade, quando alguém me para e diz: “Vc faz biologia né? Vai mexer com bicho igual o Richard da Record?

Não! Não trabalharei como este senhor, que nem sei se é biólogo. Trabalharei com seriedade, com dignidade, respeitando as criaturas e não querendo dar uma de Indiana Jones latino. Falarei coisas das quais tenha certeza, tentarei educar, conscientizar, tentar preservar algo, destruir mitos maléficos, e não me tornar mais uma boba da corte no mundo televisivo. Certas coisas na tv são como um câncer, e tal qual, devem ser extintas. O imbecil coletivo já é muito bem abastecido, não precisa de mais pessoas para continuar fazê-lo crescer.

Quanto ao Mr. Rasmussen, no lugar dele eu aproveitaria minhas roupas claras e...

  1. Tentaria me tornar garoto propaganda de algum sabão em pó;
  2. Começaria no ramo fashion dos salões de beleza; (Jassa?)
  3. Faria entrevista para uma vaga de açougueiro;
  4. Fundaria um novo centro-umbandista; (já pensou? Pai Richard?)
  5. Montaria um grupo de pagode;
  6. Enfim, faria qualquer coisa com minhas roupinhas claras e meus sapatos mocassins, desde que não invadisse a área alheia, é claro;
  7. Ah, por favor, evite frases de duplo sentido como "o problema é que ele é comprido e pega agente por trás". Não pega muito bem sabe?
  8. Tente não matar os invertebrados com sua pinça. Os entomologistas agradecem.


Deplorável. Definitivamente é o opróbrio da existência humana. Onde diabos deixei minha caixa de Prozac? Preciso dela, o “Aventureiro Selvagem” vai entrar no ar...

Sexta-feira, Abril 15, 2005

Preconceito Digital.

Essa semana tive a chance de sentir na pele a nova modalidade de preconceito. O preconceito digital. Tudo começou em uma entrevista de emprego mal sucedida, dessas em que o entrevistador já tem alguém em mente e faz de tudo para parecer que vc é a escória da humanidade.

Depois de mediocrizar o meu inglês (não, ele não é medíocre e eu sei disso), e de duvidar da minha capacidade de instalar uma simples impressora de rede (um procedimento bobo pra quem já trabalhou em empresas que usam a rede com freqüência), o rapaz começou a me fazer algumas perguntas sobre as funções do Outlook, cliente de e-mail da Microsoft.

Eu nunca usei o Outlook com freqüência, e todas as questões envolviam o uso dele em rede. Resumindo, eu não fui capaz de responder quase nada do que ele queria. Até ai tudo bem, ninguém tem a obrigação de saber usar um programa qualquer, ainda mais se não simpatiza com o mesmo. No entanto, após o teste do Outlook se seguiu o seguinte dialogo.

Entrevistador: Qual o cliente de e-mail que vc usa na sua casa?

Hades: Thunderbird.

Entrevistador: Thunderbird?

Hades: É, da Mozilla Foundation.

Entrevistador *com cara de superior*: Quantas pessoa vc conhece que usam o mesmo software?

Hades *com cara de “eim”*: Bem, que eu me lembre, só eu.

Entrevistador *inquisotor*: Então, quem vc acha que está errado? Vc ou o mundo?

Hades *com cara de nada*: Bem, é... Como assim?

Entrevistador: Não adianta vc usar um software só pra parecer diferente, se todo mundo usa o Outlook, vc deveria fazer o mesmo.

Veja só amigo, eu fui praticamente humilhado na entrevista só por que, em minha residência, eu prefiro usar outro programa de e-mail que não o Outlook. Essa passagem me rendeu a desclassificação praticamente imediata da vaga de trabalho, mas, a indignação perdurou.

Quem é esse filho de uma boa mãe pra escolher o que eu tenho que usar em casa? Quer dizer, mesmo que eu usasse o Outlook, eu não saberia nada do que ele queria, pelo simples fato de eu não estar conectado em rede. E outra, o computador da minha residência não pode, de forma alguma, servir como referencia.

Aonde foi parar a sua liberdade de escolha? Eu não tenho mais o direito de usar o programa que eu acho mais conveniente só por que um entrevistadorzinho de merda acha que o Outlook é foda e todos deveriam adotá-lo como cliente padrão para gerenciamento de contas de e-mail?

Seguindo a lógica do cara, eu deveria ir ao bar durante o horário de aula, por que, afinal de contas, a maioria da minha classe faz isso. Ou então, deveria achar o Big Brother Brasil o máximo, por que, afinal, a maioria dos brasileiros adora esse programa.

É isso ai amigos, na próxima entrevista de emprego de vc’s, se o entrevistador perguntar qual o seu cliente de e-mail, responda que essa é uma pergunta pessoal demais e que vc não se sente confortável em responder.

Pra quem não conhece, o Thunderbird é um cliente de e-mail, muito, mas muito melhor que o Outlook da Microsoft. Vale a pena dar uma conferida, tenho certeza de que vc irá gostar. Mas não conta pra ninguém eim.