Quarta-feira, Julho 27, 2005

Genese.

O quão verdadeiro é o que falam sobre o destino? Essa idéia nunca passou pela cabeça Dele. Uma vida racional era o que Ele mais buscava. Uma vida que pudesse ser prevista e controlada. Uma vida segura , dizia.

Em outros tempos, nada parecido seria sequer cogitado. Mas tudo havia mudado. Ele tentou encontrar uma explicação racional, teoria do caos, efeito borboleta. A ciência não parecia funcionar agora. Justo ela, que sempre deu as respostar que Ele sempre ansiou em saber.

Hoje Ele ainda pensa no começo de tudo. Uma noite, fria, sem graça, praticamente preta e branca. Uma festa? Sim, acho que era isso, uma festa. Já não se lembrava o que comemoravam. A comida não tinha gosto, os sorrisos pareciam gotas que caem em uma caverna, ecoavam sem que se pudesse definir de onde e para aonde.

Foi quando Ela apareceu. Ele não a notou de imediato, na verdade, Ela parecia se confundir na paisagem. Nada de mais, só mais alguém. Mas logo o brilho que a envolvia lhe chamou a atenção..

E o brilho contagiava. O que quer que Ela iluminasse, se transformava em algo tão absolutamente colorido que mal pode ser descrito. Sua voz provocava transformações ainda maiores, a cada letra proferida, uma lembrança ruim desaparecia. A paisagem, antes morta, agora pulsava de vida e alegria.

Ele já não lembrava o que o incomodava, Ele já não se importava com respostas, Ele já não ligava para o futuro. Tudo o que queria era o momento, o agora. Tudo o que queria era que aquela nova realidade durasse para sempre, tudo o que Ele queria era que a vida dele se enchesse com todas as cores trazidas por Ela.

Mas logo ele percebeu o quão cruel a realidade pode ser. O tempo passou, passou como se horas virassem segundos. E Ela partiu, levando consigo toda a transformação que O encantara. No entanto, algo permaneceu, um calor, dentro do peito. E foi esse calor que o motivou a ir em busca das cores e da vida novamente.

Ele mal podia se conter quando finalmente conseguiu manter contato com Ela. Ela o tratava como um igual, mas ele se sentia inferior, como se o próprio criador do Universo estivesse dirigindo à palavra a Ele. Essa era a única explicação que Ele imaginava para explicar tamanha fascinação que Ela provocava. Ela não podia ser desse mundo. Mas era.

Deitado em sua cama a noite, Ele ainda questiona o que faz um ser tão maravilhoso se envolver com alguém tão mundano, comum, normal. Deitado em sua cama, passando os dedos em seus lábios, Ele ainda lembra do beijo Dela.

Na verdade, Ele pouco entende o que se passou durante aquele beijo. Ele só lembra de quão macio aqueles lábios eram, do quão impossivelmente doce era seu gosto.

Beijá-la era como presenciar a criação, era como ver as primeiras porções de terra surgindo, como sentir a chuva que formou os primeiros mares e rios caindo suavemente em seu rosto, era sentir o calor dos primeiros raios de Sol, era sentir o cheiro das primeiras flores do mundo, era como sentir o vento suave que passava pelas asas das primeiras aves.

Foi quando Ele finalmente entendeu, o beijo que recebera era de fato o toque da criação. O toque que criou dentro Dele algo maior que a própria necessidade de viver. Algo maior do que um simples jogo de palavras pode descrever.

Ele ainda não sabe o quão verdadeiro é o que falam sobre o destino, ele ainda não sabe qual será o seu futuro e se Ela estará nele. A única coisa de que Ele tem certeza é que aquele beijo provocou uma mudança tão profunda em seus valores que ele finalmente entendeu sua pequenez, sua insignificância e sua falta de capacidade em ser o que Ele sempre pensou que fosse.

Dono da própria vida.

Domingo, Julho 17, 2005

Devo, não pago. Nego enquanto puder.


Mais uma vez dedico algumas linhas a ele. O sexy simbol da biologia, o nosso aventureiro selvagem: Richard Rasmussen!! (por favor, insiram aqui o apresentador Raul Gil mugindo o seu clássico “Vaaaamos aaaplááááááuuuuudiirrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!”)

Contudo, antes de escrever qualquer coisa, coloco aqui alguns trechos de uma das várias reportagens que saiu esta semana sobre este senhor – Tá famosão hein?!-


13/07/2005 - Ibama fecha criadouro conservacionista por irregularidades
O Ibama - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos NaturaisRenováveis fechou em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo umdos maiores criadouros conservacionistas do Estado, o de Richard Rasmussen,cujo nome fantasia é Casa da Tartaruga. Nessa operação, cerca de 180 animaisforam retirados e destinados para o Zoológico de São Paulo e para criadourosregularizados.O proprietário foi autuado em R$ 8,5 mil por estar de posse de animais semautorização e tem vinte dias para recorrer das autuações.

Desde 2002 Richard Rasmussen vinha sendo notificado e autuado por diversasirregularidades, como posse de espécimes silvestres sem origem, falta dedocumentação comprobatória de destino de animais, altos índices demortalidade e fugas. Várias vistorias apontaram movimentação no plantel semregistro documental, óbitos relacionados à falta de adequação dos recintos ede proteção aos bichos, bem como condições precárias tanto para os animaiscomo para os trabalhadores do local.

Tantas irregularidades levaram Rasmussen a acumular multas de R$ 280 mil,valores que ele pleiteava abater transformando o seu criadouroconservacionista em um zoológico. Todavia, um parecer da procuradoria-geraldo Ibama foi desfavorável à mudança de categoria, uma vez que o proprietáriohavia se mostrado incapaz de exercer tais atividades. Além disso, o mesmoparecer orientava para que fosse cancelado o registro de criadouroconservacionista e para que os animais fossem retirados imediatamente.



Bom, após esta leitura, em um primeiro momento pareceu-me desnecessário qualquer comentário.Mas como meus dedos começaram a coçar... Agora eu quero ver aquele bando de acéfalos que entraram aqui, voltarem e defender o “Indiana Jones” brasileiro deles. Vejam bem, não fui eu quem escreveu esta reportagem, não fui eu quem apreendeu os animais e, infelizmente, também não fui eu a autora da denúncia.

Mas caráleos de asas, o que diabos está acontecendo?! Zé Dirceu cai fora, Genoíno é jogando no limbo, a Daslu entra de cabeça no xadrez, Bob Jeff vai cantar “Nervos de aço” no programa do Jô, e agora fecham o reduto dos unicórnios, aquele lugar abençoado e mágico que era o criadouro Rasmussen! Assim não dá!

Aliás, fico cá a pensar com meus botões, se Betinho Jefferson estará envolvido com isso? Eu acho que sim. Afinal, nosso defensor da moral e dos bons costumes também deve ser defensor do meio ambiente. Certamente foi ele quem denunciou ou maus tratos e as irregularidades na Casa da Tartaruga. Logo será instaurada uma CPI para determinar o motivo de esta dívida de 280 mil não ter sido paga. Já pensaram? Mensalão da tartaruga?!

Mas deixando Bob de lado um pouco, vamos meter o pau criticar só um pouquinho o “Richa”. Não, vamos fazer melhor, vamos tentar nos colocar na posição do pessoal do Ibama...

Você pertence ao Ibama. E você sabe da situação e das irregularidades do criadouro, sabe que o camarada deve e está tentando pleitear esta dívida. Daí, de repente, você vê este ser na televisão, no horário nobre do domingo (se é que domingo tem horário nobre), dando uma de herói, de Idiana Jones, com roupas brancas - a donzela das matas brasileiras - fazendo propaganda do seu MA-RA-VI-LHO-SO criadouro!!! É de foder deixar qualquer um revoltado!

E eis que hoje ligo a tv e o que vejo? Sim, ele: o nosso ANIMAL ao extremo! Ele continua na Record, como se nada tivesse acontecido. Puta-que-pariu de rodinhas!!! Como é que esse cara pode continuar na emissora? Como pode? Bom, depois que o apresentador Netinho deixou a esposa parecendo um urso panda e continuou sendo ovacionado na rede, tudo se espera não? Em minha opinião, o nosso aventureiro ANIMAL e o pseudocantor Netinho deveriam aderir a nova tendência da Daslu: o xadrez! Nem que fosse por uns dias... (quer dizer, no caso do Netinho por um bom tempo)

Daí, certamente ouvirei “Mas Perséfone, porque tanto ódio em seu coração?” E eu responderei: não tenho ódio em meu coração. E sabe por quê? Porque simplesmente não tenho coração. Não tenho piedade. Sou velha, feia, coxa, orelhuda, encalhada, virgem, rabugenta, calhorda, mau-humorada, e maldosa. As pessoas atravessam a rua quando me vêem , ninguém se senta ao meu lado no ônibus, eu chuto animaizinhos nas ruas, dou pedradas em criaturinhas do Senhor, vendi minha mãe pra poder comprar um maço de cigarros, revistas de sacanagem e consolos. Então, vou ter piedade de um comediante desses por quê?

Diz o ditado que “quem refresca cu de pato é lagoa”, e acho que o Ibama cansou de ser a lagoa do nosso patinho Rasmussen. Hmmm... Acho que agora teremos curanchim de pato assado! MaGAvilha!!

Peraí, pato, passarinhos, Richard, todos esses ANIMAIS me fizeram lembrar um comercial que sintetiza bem o que quero dizer sobre o sr. Rasmussen. Aquele comercial do jornal Folha de São Paulo, em que aparecem animais berrando... o que eles berram mesmo? Ah sim, lembrei. Richard, essa é pra você: “É o ano da ANTA! É o ano da ANTA!”.

A fonte da reportagem pode ser checada clicando aqui.

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Boba Jeff, o bounty hunter brasileiro.

Eu não paro de me impressionar com a eficiência que o Sr. Roberto Jefferson tem em abater os políticos do PT. O cara já derrubou o Dirceu, já mandou o Genoino pro limbo, o tal de Delúbio também não suportou... Pergunto-me quem será o próximo.

Este camarada vem do nada, começa a disparar pra todo lado, derruba figurões e ainda vai cantar algumas músicas no programa do Jô. Tamanha precisão em arremessar a frágil política brasileira no ventilador me fez ver a cruel realidade. Roberto Jefferson é na verdade um “bounty hunter”, um caçador de recompensas, igual aos que aparecem no filme Guerra nas Estrelas.

Só nos resta saber qual é a recompensa (seria um aumento no seu mensalão?), e quem é o mandante, afinal, um bounty hunter não age por conta própria, é contratado por alguém.

Hmmm, será que temos um sith no senado? Será que toda esse atual constrangimento político não passa de um plano sórdido do lado negro, para tomar o controle da galáxia brasileira? E por onde andam os jedis dessa nação afinal?

E mais uma vez o circo está armado. Esta CPI fulera não chega a lugar algum, tudo o que se vê são mais e mais contradições por parte de todos os envolvidos e nenhuma resposta consistente para o povo brasileiro. Pensando bem, será que o povo brasileiro se importa com os rumos desta CPI? Ou será que só se rebelam quando o Pânico na TV sai do ar por algumas horas?

Só um aviso ao Sr. Lulinha Paz e Amor... Cuidado, Boba Jeff, o bounty hunter brasileiro ainda pode querer disparar contra o Sr.

Terça-feira, Julho 05, 2005

Ferro na educação.

São Bernardo do Campo... Aaaah São Bernardo do Campo!!... A cidade dos automóveis, do cinema, da indústria moveleira e do frango com polenta. Lar de nosso presidente molusco, terra de grandes movimentos políticos, lá dos primórdios do PT.

São Bernardo do Campo tem a segunda maior arrecadação de impostos do estado de São Paulo, perdendo apenas para a própria cidade de São Paulo. Gaba-se de seu passado político e de seu presente glorioso. Gaba-se de sua extensa área de preservação da mata atlântica, de seu sistema de saúde e de suas excelentes escolas municipais.

Pera aí... Excelentes escolas municipais? Vamos falar da condição de estudo de milhares de crianças em idade de alfabetização, que frequentam as "excelentes" escolas municipais de São Bernardo do Campo.

Quem assistiu o Jornal Hoje desta segunda-feira (dia 04 de julho) pode observar a maior demonstração de sordidez e falta de vergonha na cara que uma pessoa pode ter. Explico, a dois anos atrás, o então secretário da educação Admir Ferro, negou o recebimento das cartilhas distribuidas pelo governo federal, e avaliadas pelo MEC, alegando que elas não tinham boa qualidade e que não dariam conta de ensinar descentemente nossas crianças.

E o que fez o referido cidadão para transformar a cidade de São Bernardo do Campo na meca da educação? Simples, sem qualquer processo de licitação, fechou um acordo de mais de 5 milhões de reais com uma empresa do Paraná, que deveria fornecer as cartilhas para serem utilizadas pelas escolas daqui. E assim foi feito.

Só que, as cartilhas eram grandes "bombas", ruins mesmo, tão ruins que não podiam ser usadas nem pra limpar a bunda macia dos políticos que fingem governar essa cidade. E foi assim que os alunos ficaram sem qualquer material didático. São Bernardo do Campo continua negando as cartilhas ofertadas gratuitamente pelo governo federal, e ao mesmo tempo, ninguém toma qualquer providencia para reparar o mau feito à educação das mais de 40 mil crianças atendidas pelas escolas deste município.

Só pra vc's terem uma idéia da qualidade das cartilhas adquiridas pelo brilhante governo de São Bernardo, vou transcrever algumas passagens do livro magno de educação.

Um hipopótamo é apresentado do mesmo tamanho de uma paca.

A contracapa dos livros traz o hino oficial do município com falhas de ortografia, tempo verbal e pontuação.

Identificação errônea do Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), que foi traduzido como Programa de Educação do Trabalho Infantil.

Por fim, as cartilhas foram devolvidas e o contrato cancelado, mas os mais de 5 milhões não retornaram aos cofres públicos. Ao que tudo indica, o Sr. Ferro vai responder judicialmente, possivelmente acusado de improbidade administrativa.

Vale ressaltar que, as escolas continuam sem material escolar e a prefeitura do município continua negando o material oferecido pelo MEC.

Para verem a reportagem feita pelo Diário do Grande ABC, clique aqui.

Não se sinta surpreso caso este texto seja substituido por uma receita de bolo até o final de semana, a prefeitura de São Bernardo é conhecida por tomar algumas atitudes de censura, mas isso fica pra outro post.