Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Jesus me chicoteia

Sabe aqueles dias em que vc NUNCA deveria ter saído da cama? Pois é... ¬¬

Em casa

Deito sonhando em acordar no horário de almoço do dia seguinte. Ledo engano. Acordo à 9h com vovó ensandecida berrando em meus ouvidos: “Os ratos estão dominando! Vão invadir tudo e quebrar a casa!” Abandono Antonio Bandeiras que chora e faz de tudo para segurar-me em seus braços e tento abrir os olhos. Não consigo, viro do outro lado. Recebo um chacoalhão: “Vc tá ouvindo? Os ratos estão dominando tudo!!” Faço uma força sobre humana e finalmente recobro a consciência. Só então entendi o que aconteceu. Ouve uma rebelião na caixa dos meus ratos, eles queimaram colchões, fizeram reféns, usaram o pano de pó para fazer uma “Tereza” e fugiram.Estavam andando pela sala e um deles resolveu invadir e tomar posse do quarto de vovó. Levanto calmamente, e vou realizar a operação resgate. Todos os fugitivos foram recapturados quase 1h depois, e vovó finalmente parou de gritar.

Resolvo tomar café. Logo na mesa recebo uma notícia que me deixa em depressão: teria que fazer despesa. ODEIO fazer despesa. Irrita-me ver aquele monte de donas de casa desesperadas, destruindo nossas canelas com carrinhos desgovernados, muitas vezes com seus filhinhos que abrem salgadinhos antes de passarem nos caixas e nos sujam com suas mãozinhas de gorduras. Suspiro, termino meu suco e vou rumo ao sacrifício.

No portão

Abro o portão e o que vejo? Algum descendente direto de uma chefa do setor de venda de corpos da zona do baixo meretrício estacionou o carro na porta da minha casa. Não, não era só uma parte do carro que estava em frente à garagem, era o carro todo! A rua estava vazia e o palhaço parou na minha garagem!! Um tanto quanto descontrolada, invado a construção vizinha e pergunto delicadamente quem era o imbecil dono do carro. Para meu espanto, o carro não era de lá, e o corretor disse ter visto o vizinho da frente parando o carro ali. Respiro fundo espero. Depois de 25min de espera resolvo chamar o DETRAN. Afinal, uma multazinha de vez em quando não faz mal a ninguém né? Pouco antes do DETRAN chegar, o camarada sai e com a maior cara de pau pede desculpas. Desculpas? Desculpas? Aceito as desculpas e iniciamos uma adulta, serena e gentil conversa. Depois de alguns básicos “foda-se”, “enfia esse carro no koo” e “não sou sua irmã porque meu pai não quis” tiro meu carro do quintal.

Quando estou fechando o portão, me sentando no veículo, pronta pra ligá-lo escuto um toc toc no vidro. Viro minha cabeça devagar e vejo a carinha simpática de outro vizinho, simplesmente um dos seres humanos mais Zé Ruela que já conheci.“Ai meu Deus!”. Bato lentamente minha testa no volante como que tentando acordar do pesadelo. Não consigo. Dou um sorriso amarelo e desço o vidro. Fico ali uns 45min escutando sobre os impactos ambientais causados pelo Tucunaré. Caralhos me fodam! Por que eu quero saber sobre os problemas do Tucunaré? Não é porque faço biologia que tenho que me interessar por tudo do mundo animal, principalmente depois de quase ter me envolvido em uma agressão física. Quando ele entrou no número de Avogadro da fórmula de homeopatia do remédio que ele deu pro gato sarnento dele eu achei demais. Nem me dei ao trabalho de dizer nada. Liguei o carro e saí.

No mercado

Adentro calmamente o mercado, respiro fundo tento controlar minha mercadofobia. Entro em um corredor e começo minhas compras. Por um motivo qualquer dou dois passos para trás e...Ploft! Trombo com uma funcionária dos diabos que, segundo testemunhas, também por um motivo qualquer estava olhando para trás. Só um pequeno detalhe: era uma funcionária do setor de carnes e carregava uma enorme bandeja cheia daquela água nojenta, vermelha e fedida. Detalhe dois: minha jaqueta era branca. Era! Tiro minha jaqueta, continuo mercado a fora, só de blusinha regata no “friozinho gostoso da Terra da Garoa” (deveriam estar uns 10º).

Chego no corredor das bolachas e não existem mais bolachas de leite. Apenas um único pacote todo quebrado. Decidi levá-lo mesmo assim, pois vovó não vive sem bolachas de leite. “Ela não vai se importar”, pensei eu, afinal ela vai quebrar ao morder mesmo...

Pago tudo, entro no carro e confiro o troco. A mocinha do caixa ficou com quarenta centavos. Ah, tudo bem são só quarenta centavos, pessoas cometem erros. De repente olho pro lado e me lembro do guardador de carros. Abro a carteira e não vejo uma moeda. Vaca filha de uma p#$@%, ladra do c%¨#$@, cretina mentecapta incapaz de fazer contas e devolver o troco certo! Erro de koo é rola! Dou um sorrisinho ao homem, digo que esqueci uma coisa no mercado e volto para reclamar a fortuna de quarenta centavos. Centavos estes que poderiam ter me custado um arranhão na pintura.

Novamente em casa, minha saída noturna e o retorno

Tiro as coisas do carro, guardo as despesas e escuto uma verdadeira ladainha porque comprei bolachas quebradas. Tomo um suco e resolvo fazer aquele trabalho que foi dado há uns dois meses e que é para ser entregue quarta-feira agora. Ligo o computador e começo a pesquisa. Em determinado momento, preciso do livro. Logo descubro que peguei o livro errado. ¬¬

Resolvo então assistir à fita de vídeo, caridosamente cedida por minha professora, pois o filme era essencial à realização do trabalho. Coloco a fita no aparelho. Minutos depois ouço um barulho estranho, a imagem some. Mais barulhos estranhos. Pulo desesperada do sofá, tento em vão apertar o Stop. Nada. Barulhos esquisitos continuam surgindo. Tiro o fio da tomada, ligo o vídeo de novo, tento tirar a fita. A fita não sai. Grito por meu irmão, sinto uma lágrima escorrendo no canto do meu olho. Ele vem, olha, e dá o parecer técnico dele: “Só lamento”. Tento outra vez tirar a fita e milagrosamente ela sai... ... Aos pedaços. = (

Terminada minha crise de histeria, cessado meu pranto, estava eu feliz no colo de mamãe, saindo do estado de catatonia quando o telefone toca. Uns amigos me convidavam para sair. Aceitei o convite, afinal eu precisava mesmo me divertir.

Entro no banho, a água estava deliciosamente quente. Passo meu sabonete Pom Pom (sim, minha pele é sensível e eu uso sabonete infantil, qual o problema?), escovo meu dentes, lavo os cabelos. Quando estou passando o condicionador a luz apaga e eu recebo um jato geladérrimo nas costas. Mamãe bate na porta e diz: “O fusível queimou. Vc tá com frio?” Não. Eu gosto de estar tomando um banho fervendo e em seguida me enfiar debaixo de uma água gelada. Não sinto frio não. O frio é psicológico. Depois de esperar alguns minutos nua, dentro o box, no escuro e com o cabelo cheio de condicionador a luz voltou. Terminei meu banho e saí.

A noite foi, milagrosamente, bastante agradável. Reencontrei uns amigos que não via há muito, dei muita risada e ainda fiz um novo amigo. Volto pra casa às 3h45min. Para não acordar meus amados familiares como o barulho advindo de minhas botas salto Luis XV fico descalça. E de repente, eis que ouço um rosnado ameaçador. O cachorro vira-latas que peguei da rua há 15 dias não me reconheceu. E pior, avançou. Literalmente mordendo quem o alimenta. Acho que ele se assustou com a aparição repentina de uma figura de sobretudo preto e botas na mão. Diante do covarde ataque, não me restou outra alternativa que não gritar e jogar minhas botas nele. Isso deve ter feito um pouquinho de barulho, porque logo luzes se acenderam e meu avô surgiu na cozinha perguntando se eu estava ficando louca.

Em seguida encontro vovó no corredor perguntando se precisava fazer tanto barulho. Ando mais um pouco e ouço palavras um tanto quanto ríspidas de meu irmão. Entro no quarto e mamãe pergunta se eu estou bêbada. Caralhos alados! Eu tive um dia medonho, quase sou dilacerada pelo cachorro aleijado que salvei e ainda tenho que ouvir tudo isso??

Depois de hoje passei a acreditar em reencarnação.Limpei a boca na toalha da Santa Ceia e em seguida fiz um streap para os apóstolos em cima da mesa. Hoje, reencarnada, estou pagando por isso...