Após o amor.
Amei, amei mas me enganei. E como todos que percebem a cruel e aterradora verdade, sofri. Não pela perda do amor, mas pela perda da cegueira que este incute em nós. A cegueira do amor é a maior benção que este sentimento trás, esconde a real natureza do que nos encanta.
E o amor se foi, ceifado pela imaturidade, derrotado pelo individualismo, escarrado pelo egocentrismo. E deste amor, o que sobrou foi o asco que sua imagem provoca, a náusea de seu cheiro e o azedume de sua saliva.
O gosto amargo como cera de ouvido de sua pele ainda impregna minha boca, o toque ácido de suas mãos ainda corroe minha pele e sua voz insuportavelmente irritante liquefaz meu cérebro.
Muito embora eu ainda sinta sua repugnante presença em meu interior, não mais sofro por seus distúrbios psicológicos. Não sinto mais pena de sua falta de tato em tratar a realidade, apenas o desgosto por sua existência restou.
Não ache amor que eu a odeio, não tenha pretensões de que eu ainda gaste meu tempo desenvolvendo algum tipo de sentimento por você, apenas considero a infelicidade que foi um dia amar alguém tão miseravelmente medíocre.
E se a raiva a toma, lembre-se que foi você quem subverteu meu amor. Foi você quem superestimou sua importância em minha vida. Foi você quem acreditou que eu trocaria meu caráter e minha personalidade por sexo executado com excelência.
Sigo então a meu caminho, livre de suas sandices e exigências. Deixo para trás o fétido pântano de nosso amor e entro na floresta do desconhecido. Parto na esperança de encontrar o verdadeiro amor, que irá de fato acrescentar algo à minha vida, o amor que irá de forma conclusiva, mostrar que você jamais passou de um verme pestilento, consumindo minhas entranhas e envenenando meu coração.
Amei, amei mas me enganei.
Da série "Dói, fere & dilacera"



