24h - LETAL
Depois de meses sem postar por
Era sábado. Dia bonito, onde os raios de sol penetravam (ui) de leve por entre as cortinas do meu quarto e onde eu tranquilamente descansava nos doces braços de Hypnos. De repente sou acordada de sobressalto pelo telefone. Era Hades, me convidando para um alegre passeio no Instituto Butantan com um casal de amigos. Aceitei. Afinal, nada como um tranqüilo passeio em um belo lugar para esquecer os problemas, e nervosismos do dia a dia.
Após o almoço, Hades e Lindomar passaram para me buscar. Ainda íamos buscar Eliana no serviço. Eliana trabalha na Mooca, e lá fomos nós. Da Mooca percorremos um longo ( longo mesmo) caminho até o Butantan.
Passamos pela Paulista, depois Rebouças, Avenida Angélica e Paulista de novo. Sim, estávamos perdidos. Após enxugarmos as lágrimas...
- Hades, não tínhamos que estar sentido ao viaduto??
- Sim, mas para isso você tinha que virar aqui. Pena que é contra-mão.
- Ah, não tem problema não. Hoje é sábado. Tem algum “marronzinho” por aí Perséfone??
- Não maa... – virada brusca do carro. Gritos de repreensão de Eliana.
- Mas Persófone, você disse que não tinha nenhum “marrozinho”!
- É, não tinha. Tinha só dois guardas municipais apoiados em suas motos ali na esquina...
Lágrimas...
Depois de
Ficamos uns minutos observando os macacos. Eu, Hades e Lindomar nos distraímos e fomos alguns metros à frente. Foi quando ouvimos gritos de pavor e urros de ódio. Nos viramos e vimos Eliana agarrada à belas madeixas castanhas e encaracoladas de um adolescente que dava pedaços de papel para o macaco comer.
Após acalmarmos Eliana
Entramos e logo atrás entrou também um grupo de franceses guiados por uma mulher elegante, provavelmente a intérprete.
Na hora da saída, paramos diante de um terrário onde uma pequena jararaca descansava debaixo de uma folha grande que lhe servia de abrigo. Eu, muito curiosa com a parte técnica do terrário, coloquei a mão por cima da tela ( que devia ter uns 10 cm de espessura) para ver a estrutura da tampa, já que era hora de fechar e o museu estava vazio, sem os monitores. De repente, surge do nada uma mulher baixa, de óculos, com um batom vermelho-biscate gritando:
- Mas o que é isso?? Tira a mão daí, tira a mão daí!!! Você ta ficando louca?? A cobra vai sentir o calor da sua mão e você vai morrer!!
- Sim senhora, tem razão, eu queria só sentir a tela, eu vi a cobra. Mas a senhora tem toda razão, perdão.
- A cobra vai pegar a sua mão! E aí, você vai fazer o que? Hein? Hein??
- Sim senhora, já entendi... ¬¬
- Não pode por a mão aí! Não pode!!!
- Senhora, EU JÁ EN-TEN-DI!!!! Não sou surda!!!
Então, como acho que era hora de ela bater o cartão, simplesmente nos deu as costas e saiu. Foi quando nós e os turistas franceses vivemos momentos de pura tensão.
Hades, para criar um “clima festivo” falou seriamente para mim:
- Porra, Perséfone. Não põe a mão aí!! A cobra vai explodir!!
- Como? \o/
Então ele resolveu gritar...
- VAI EXPLODIIIIIIIIIIIIRRRRRRRRR!!!! GONA BLOW! GONA BLOOOWWW!
A guia dos franceses ao ouvir isso, no melhor estilo “peguei o bonde andando, sentei na janelinha e ainda vou dar tchau” começa a gritar algo incompreensível num tom desesperado.
De repente, os turistas e ela se jogam no chão com as mãos na cabeça. Nós, horrorizados ficamos por uns segundos olhando para os lados, procurando Jack Bauer e Toni Almeida. Nos sentimos no seriado 24h, o suor já escorria por nossos rostos, eu e Lindomar até chegamos a nos abaixar.
Foi quando Eliana compreendeu o que estava acontecendo e sugeriu que saíssemos bem rápido dali, antes que o segurança nos prendesse. Ela e Hades tiveram que praticamente arrastar eu e Lindomar, ainda temendo a explosão de uma bomba colocada secretamente na serpente por algum terrorista. Entramos rapidamente no carro e saímos ainda mais rápido do Instituto, jurando nunca mais ficarmos no mesmo recinto que franceses.
Sabe, acho que é por isto que os turistas não voltam mais ao Brasil...



