Domingo, Fevereiro 26, 2006

24h - LETAL

Depois de meses sem postar por pura preguiça falta de tempo, resolvi contar este emocionante dia que podíamos ter sido presos marcou para sempre nossas vidas.

Era sábado. Dia bonito, onde os raios de sol penetravam (ui) de leve por entre as cortinas do meu quarto e onde eu tranquilamente descansava nos doces braços de Hypnos. De repente sou acordada de sobressalto pelo telefone. Era Hades, me convidando para um alegre passeio no Instituto Butantan com um casal de amigos. Aceitei. Afinal, nada como um tranqüilo passeio em um belo lugar para esquecer os problemas, e nervosismos do dia a dia.

Após o almoço, Hades e Lindomar passaram para me buscar. Ainda íamos buscar Eliana no serviço. Eliana trabalha na Mooca, e lá fomos nós. Da Mooca percorremos um longo ( longo mesmo) caminho até o Butantan.

Passamos pela Paulista, depois Rebouças, Avenida Angélica e Paulista de novo. Sim, estávamos perdidos. Após enxugarmos as lágrimas...

- Hades, não tínhamos que estar sentido ao viaduto??

- Sim, mas para isso você tinha que virar aqui. Pena que é contra-mão.

- Ah, não tem problema não. Hoje é sábado. Tem algum “marronzinho” por aí Perséfone??

- Não maa... – virada brusca do carro. Gritos de repreensão de Eliana.

- Mas Persófone, você disse que não tinha nenhum “marrozinho”!

- É, não tinha. Tinha só dois guardas municipais apoiados em suas motos ali na esquina...

Lágrimas...

Depois de quase desistirmos alguns minutos, chegamos ao Butantan. Ah, que maravilha!! Sol, árvores, pássaros, serpentes e... crianças gritando! Lindo! Resolvemos então visitar o macacário, achando que lá estaria tudo mais calmo.

Ficamos uns minutos observando os macacos. Eu, Hades e Lindomar nos distraímos e fomos alguns metros à frente. Foi quando ouvimos gritos de pavor e urros de ódio. Nos viramos e vimos Eliana agarrada à belas madeixas castanhas e encaracoladas de um adolescente que dava pedaços de papel para o macaco comer.

Após acalmarmos Eliana e devolvermos uns tufos de cabelo ao dono e nos explicarmos ao segurança, decidimos visitar o museu das serpentes. Já era quase hora de fechar, e achamos que por isto lá encontraríamos paz e tranqüilidade.

Entramos e logo atrás entrou também um grupo de franceses guiados por uma mulher elegante, provavelmente a intérprete.

Na hora da saída, paramos diante de um terrário onde uma pequena jararaca descansava debaixo de uma folha grande que lhe servia de abrigo. Eu, muito curiosa com a parte técnica do terrário, coloquei a mão por cima da tela ( que devia ter uns 10 cm de espessura) para ver a estrutura da tampa, já que era hora de fechar e o museu estava vazio, sem os monitores. De repente, surge do nada uma mulher baixa, de óculos, com um batom vermelho-biscate gritando:

- Mas o que é isso?? Tira a mão daí, tira a mão daí!!! Você ta ficando louca?? A cobra vai sentir o calor da sua mão e você vai morrer!!

- Sim senhora, tem razão, eu queria só sentir a tela, eu vi a cobra. Mas a senhora tem toda razão, perdão.

- A cobra vai pegar a sua mão! E aí, você vai fazer o que? Hein? Hein??

- Sim senhora, já entendi... ¬¬

- Não pode por a mão aí! Não pode!!!

- Senhora, EU JÁ EN-TEN-DI!!!! Não sou surda!!!

Então, como acho que era hora de ela bater o cartão, simplesmente nos deu as costas e saiu. Foi quando nós e os turistas franceses vivemos momentos de pura tensão.

Hades, para criar um “clima festivo” falou seriamente para mim:

- Porra, Perséfone. Não põe a mão aí!! A cobra vai explodir!!

- Como? \o/

Então ele resolveu gritar...

- VAI EXPLODIIIIIIIIIIIIRRRRRRRRR!!!! GONA BLOW! GONA BLOOOWWW!

A guia dos franceses ao ouvir isso, no melhor estilo “peguei o bonde andando, sentei na janelinha e ainda vou dar tchau” começa a gritar algo incompreensível num tom desesperado.

De repente, os turistas e ela se jogam no chão com as mãos na cabeça. Nós, horrorizados ficamos por uns segundos olhando para os lados, procurando Jack Bauer e Toni Almeida. Nos sentimos no seriado 24h, o suor já escorria por nossos rostos, eu e Lindomar até chegamos a nos abaixar.

Foi quando Eliana compreendeu o que estava acontecendo e sugeriu que saíssemos bem rápido dali, antes que o segurança nos prendesse. Ela e Hades tiveram que praticamente arrastar eu e Lindomar, ainda temendo a explosão de uma bomba colocada secretamente na serpente por algum terrorista. Entramos rapidamente no carro e saímos ainda mais rápido do Instituto, jurando nunca mais ficarmos no mesmo recinto que franceses.

Sabe, acho que é por isto que os turistas não voltam mais ao Brasil...

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

La fille et la musique!!!

A noite já ia tarde. O barulho do motor era abafado pela melodia que do rádio saía. Era francesa... A música, não a garota. Mas ela, a garota, era tão linda quanto a música.

E a melodia tomava o ambiente, se espalhava e se impunha. Com a garota não era diferente, seu sorriso tripudiava com a inocência de quem ouvia. Se misturava com o som do acordeon e trazia consigo as lembranças felizes de tempos tão alegres quanto os acordes.

Sua personalidade metódica e precisa imitava a beleza do violino, enchendo os pensamentos da felicidade mais pura e da paixão mais verdadeira. A vontade de dançar era tão incontrolável quanto a vontade de sentir novamente os lábios macios como as notas do piano.

E por minutos a lembrança dela se tornou a música, por breves minutos a música e ela eram a mesma coisa. Por breves minutos ele pode sentir novamente a vibração daquele abraço traduzido em notas musicais.

Por mais aqueles poucos minutos que a música durou ele se sentiu tocado novamente por sua presença, encheu-se de esperança e teve a certeza de que tudo daria certo.

Mas a música terminou. Levou consigo os planos e os sonhos, levou consigo a motivação e a paixão. Deixou apenas a saudade dos violinos, pianos e acordeons...

Agora ouvia-se apenas o barulho do carro seguindo pela avenida e um coração batendo pela ausência da música, a francesa... E da garota.

La Noyee

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

Ódio!!!

Te odeio por me deixar na ignorância;
Te odeio por me obrigar a escutar o silencio;
Te odeio por sua ausência;
Te odeio por todo sentimento de impotência que me faz sentir;

Te odeio pela insegurança que me provoca;
Te odeio por estar o tempo todo em meus pensamentos;
Te odeio por me fazer temer meus sentimentos;
Te odeio por me fazer temer seus sentimentos;

Te odeio por me dar momentos tão angustiantes;
Te odeio por me dar momentos tão incríveis;
Te odeio por me fazer escrever um texto tão clichê;
Te odeio por seu olhar que me rende;

Te odeio por seu toque que faz meu coração disparar;
Te odeio por sonhar com seu sorriso;
Te odeio por adorar escutar sua risada;
Te odeio por ser tudo que eu mais quero;
Te odeio pelo medo que tenho de te perder.

Te odeio... Não, não odeio...

Nada vejo, nada ouço, nada falo...