Sexta-feira, Maio 19, 2006

Respostas.

Sobre a questão fundamental do ovo, da galinha e de tudo mais: Na verdade foi o ovo, tendo em vista que os répteis dos quais as aves descendem já botavam ovos e os anfíbios e peixes antes deles tb. No entanto as galinhas são a forma prática e descomplicada que os ovos encontraram para se reproduzirem (e essa frase é do Sr. Richard Dawkins).

Sobre a questão fundamental da vida, do universo e tudo o mais ou simplesmente “De onde viemos e para onde vamos”: Segundo Douglas Adams, a resposta dessa pergunta é 42 (?). No entanto, essa resposta é outra daquelas que seguem as leis relativescas. O Lula responderia “vim de São Bernardo, mas nun sei pra onde vou companheiro”, outras pessoas com bem menos educação, dependendo do contexto, poderiam responder “estou vindo da casa da sua irmã e indo pra casa da sua mãe”.

Sobe a questão existencial: Ser, sempre. A não ser que exista algum inconveniente, neste caso, não ser.

Sobre questões existenciais divinas: A existência de Deus está diretamente relacionada com sua necessidade em acreditar nele.

Sobre vida extraterrestre: Matematicamente falando sim, cientificamente talvez, religiosamente jamais.

Sobre o deslocamento linear das filas (independente de quais sejam): O problema todo está em como as pessoas encaram o movimento das filas. Essas são regidas por outro efeito físico, o efeito borboleta. O simples fato de vc mudar de fila, faz com que a que estava andando acabe parando enquanto a que estava parada passe a andar. Não vamos entrar em detalhes mais apurados, as filas em si são tema de extensos estudos e os resultados obtidos até hoje indicam que elas são boas condutoras de stresse e são muito afetadas pela lei de Murph.

Sobre a veracidade do homem na lua: Que seres humanos pisaram na Lua, qualquer pessoa de bom senso acredita, agora, se era homem... Vai saber, isso é pessoal demais.

Sobre Deuses astronautas: Nenhuma mitologia corrobora com tal afirmação, a não ser que se leve em consideração as possíveis “viagens” feitas pelos Deuses, nesse caso devemos levar em consideração a quantidade de ópio (fala sério, alguém acha mesmo que eles tomavam “néctar” ou coisa do tipo?) ingerido.

Sobre relações biblicamente incestuosas: Ok, se desconsiderarmos todos os indícios genéticos, biológicos, fisiológico e evolutivos que claramente tornam impossível a simples idéia de que dois seres humanos vindos do nada (eles não se enquadram na segunda questão), sozinhos (e com muita disposição) povoaram um planeta todo, a suposição das múltiplas relações incestuosas estaria correta. Vale notar que relações incestuosas são tema recorrente na bíblia. Talvez Deus (o que se enquadra na quarta questão) tenha síndrome de édipo e queira compartilhar com seus fieis.

Por motivos claros vou ignorar a questão sobre Bia Falcão... A não ser que vc mude para “Odete Roitman”, nesse caso sou obrigado a responder “sei lá porra”.

Sobre o processo degenerativo de anões: Sim, eles morrem. Mas são tão pequenos que a velocidade de decomposição é absurdamente maior do que em uma pessoa comum. A tenologia atual não é capaz de filmar o processo para estudos mais detalhados.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Tostines relativado !!!

B. diz: "Amor, preciso te perguntar algo muito sério".

Hades quase fazendo xixi nas calças de tanto medo da pergunta responde: "Pode perguntar meu anjo".

B. justifica: "Desculpa te perguntar isso, espero que não fique chateado mas PRECISO saber vc entende?

Hades pensando em todas as possíveis burradas que pode ter cometido responde: "Manda, pode falar"

B. pergunta: "Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais"?

Hades em surto responde:

Na verdade tudo entra na preposição relativesca de Einstein.

O segredo no caso é o ponto de vista que o observador leva como referencia primária.

Em termos práticos pode-se dizer que ambas as preposições estão corretas. No entanto, podemos analisar isso de forma específica nos colocando no lugar dos possíveis observadores
Dessa forma, se formos o fabricante do produto, estamos olhando do ponto de vista comercio-lucrativo da coisa, ou seja, pensamos em números de venda.

O observador fabricante então leva em consideração que o produto vende muito e, por vender tanto só podemos acreditar que ele venda em velocidade exacerbada.

Dessa forma, o tempo que o produto em questão (Tostines) leva para sair da fábrica e chegar até a casa do outro observador (o consumidor, que será abordado em alguns minutos) é menor em relação ao tempo que o produto leva para perder sua propriedade "frisquinho".

Portanto, do ponto de vista do observador-fabricante, o produto é fresquinho pq vende mais.
No entanto, como estamos tratando de um assunto absolutamente passível às leis da relatividade restrita (consideremos apenas que o produto se move de forma linear e com velocidade mais ou menos constante), o ponto de vista do outro observador, o consumidor, é proporcionalmente inverso ao do observador-fabricante.

Ou seja, para o consumidor, o que vale é a característica "fresquinho" do produto. O consumidor sabe que enquanto "fresquinho" o produto terá um valor de mercado maior.

O valor de mercado maior torna o produto muito mais procurado, o que impulsiona a tal venda em velocidade exacerbada que tratamos a alguns parágrafos atrás.

Dessa forma, para o consumidor, o produto vende mais porque é "fresquinho".

Evidente que ambos os pontos de vista estão absolutamente corretos (como se é de esperar em qualquer coisa que se enquadre na teoria da relatividade, como o biscoito Tostines) e portanto, a sua pergunta não faz o menor sentido em termos práticos, mas proporciona um ótimo exercício criativo.

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Cinema

E pelo caminho ele seguiu orientado pela bússola que encontrara. O abismo já havia ficado para trás a muito tempo, mas ele ainda sofria pela lembrança de sua repugnante existência.

Caminhava agora por uma estrada de asfalto mal conservado. Ao seu redor apenas a desolação de um mundo vazio e de paisagem cinza. Cansado de caminhar tanto, sentou-se no meio da estrada e observou o horizonte.

E foi observando o horizonte que ele notou algo que não se enquadrava em sua realidade devastada. Um brilho amarelo e quente emanava daquela linha que cortava a terra e o céu. A princípio achou ser o Sol, mas lembrou que este jazia no firmamento como uma bola branca e gelada encoberto pelas nuvens, pairando sobre sua cabeça.

Extraindo de si as últimas forças que lhe restavam levantou-se e correu. O tempo não fazia mais sentido, talvez tenha corrido sem parar por dias ou até meses. Mas a certeza era algo que se perdera a muito em alguma curva tortuosa do caminho que percorreu.

Ali, no meio do nada, erguia-se um prédio vermelho com detalhes dourados. Não parou para notar as formas ou tomar nota do que estava escrito. Apenas caminhou em sua direção e adentrou o edifício.

O lugar todo era uma enorme sala escura e no meio desta sala existia uma única cadeira. E sentado na cadeira ele passou pela maior experiência de sua simplória existência. A sala se encheu da claridade emanada pela imagem que agora se projetava na parede.

E ali na parede estava o que ele sempre buscou, a paisagem iluminada pelo Sol, o gramado verde pintado pelo azul do céu. Ali na parede estava o mundo lúdico que ele sempre imaginou.

O tempo se perdeu, as lembranças do abismo deixaram de existir, o mundo fora do cinema deixou de ser real. Ali naquele espaço só dele a paz se fez sentir. O único ponto acolhedor de um mundo cruel e cinza.

O cinema tornou-se seu e ele se entregou ao cinema. E nada naquele mundo cruel que os circundava seria capaz de destruir o calor que emanou de um coração que, finalmente, encontrara um motivo para viver.

Quarta-feira, Maio 03, 2006

De como ele chegou ao Tártaro...

O texto não é meu, mas como fala de como a luz dos meus olhos chegou até mim, estou postando-o aqui...

Um instante de vida


Ínfimo diante dos grandes deuses. Completamente despreparado para uma luta contra qualquer dos mais fracos habitantes do Olimpo. Um pequeno pedaço de nada, diante do poder do menor dos menores senhores da vida. Assim era nosso herói. Um rosto sem traços, um corpo deslizando nas sombras, um homem sem nome. Alguém que buscou sua felicidade por toda vida e a descobriu no colo de uma deusa.

Sua audácia justificava-se na pura necessidade de amar. Na vontade de realizar seu desejo, mesmo que lhe custasse a própria vida. Disposto a entregar corpo e espírito, repetiu a si mesmo, antes de partir: “E de que vale a minha vida, se não posso sentir sua respiração junto de mim? Por que viver se não por ela?”

Um homem sem destino, pois este já o abandonara há dias, quando havia tomado sua teimosa decisão de desafiar o poderoso Hades. Descer ao inferno, andar sobre as rochas incandescentes e se perder em meio as cavernas do Tártaro, lhe parecia um preço ridículo a se pagar pelo amor de Perséfone. Queimar sua alma no fogo da insanidade não seria pior que viver sem o olhar de sua deusa.

Um dia Hades a tomou de Zeus. Nosso herói estava convencido de que a tomaria em seu braços e a beijaria. Um segundo. Era tudo que ele queria. Um segundo e sua alma aquiesceria em mergulhar num poço de lava ou mesmo em ser aprisionada e chorar eternamente lágrimas secas, fagulhas ardentes nas cavidades que outrora carregaram olhos brilhantes e cheios de vida. Enquanto Hades detinha o poder e a sagacidade, esse homem tomado pela loucura, conhecia apenas sua própria e estúpida coragem e nada mais.

Perséfone detinha a beleza deslumbrante que era capaz de cegar até mesmo um semi-deus, o que dizer então de um simples ser humano? No entanto ele se achava digno daquele divino amor, porque o sentia por todos os lados e com tal intensidade, que se deixou levar ao que seria o seu fim. Caronte foi além de condutor, testemunha de sua viagem até os domínios do invisível.

“Não há vida sem o teu olhar. Não há música sem tua voz. Sem tua pele, não tenho serventia para minhas mãos. Para que meus lábios se não posso sentir a maciez de sua boca? Deixe-me vê-la Perséfone! Deixe-me sentir o frescor de seu hálito soprando-me a vida da qual nunca vivi. Permita-me olhar teu corpo, saciar meu desejo, mesmo que no instante seguinte eu seja enviado para o sofrimento eterno, sob o açoite de Hades. Seja minha para sempre, mesmo que seja apenas em minha mente. Perséfone... Me tome como seu. Que Hades me mate, decrete meu fim, mas que não me prive desse momento. Amo-te como nenhum deus jamais te amou ou amará. Tenho-te em minha carne, em meu sangue e em minha própria essência. Nasci para te amar e se te amar não puder, que me ceifem a vida em troca de um segundo que justifique minha passagem pela terra.”

E essas foram as últimas palavras de nosso herói. Uma prece feita ao seu grande e único amor. Uma súplica de vida e de morte. Ele havia nascido para amá-la e amando estava, quando deu seu último suspiro em vida, nos braços de Perséfone.

Nunca mais se soube de seu paradeiro. Dizem que Hades não teve compaixão, mesmo porque, esse sentimento nunca lhe foi familiar. Bafos quentes vindos do subterrâneo, trouxeram a notícia, ou talvez seria melhor dizer a lenda, que naquela noite, por um pequeno instante, as trevas cederam lugar ao brilho intenso de um sorriso que iluminou até mesmo os cantos mais longínquos e profundos do Tártaro. E que a voz de Perséfone se fez ouvir em um canto de inimaginável beleza.

por Marcelo Amado